A violência contra a pessoa idosa: uma realidade (in)visível

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“O envelhecimento traz consigo a maturidade e a experiência necessárias para uma melhor compreensão da vida e, consequentemente, para obtenção da serenidade, além de nos tornar mais sábios frente aos desafios do cotidiano. Contudo, há um outro lado da moeda que consiste na vulnerabilidade decorrente do desgaste físico que coloca os  idosos como alvos fáceis de aproveitadores.”
Luiz Cláudio Carvalho de Almeida

Há alguns anos se observa o aumento da expectativa de vida e a melhoria das condições de vida das pessoas que envelhecem. Infelizmente, nem todos os cidadãos brasileiros estão envelhecendo da mesma maneira. Ainda é preciso envidar esforços para que se chegue à velhice com dignidade. Além disso, ainda convivemos com o preconceito e a falta de respeito à pessoa que envelhece. Diariamente somos testemunhas dos obstáculos enfrentados pelos cidadãos no exercício dos seus direitos. A violência de toda natureza é um dos principais problemas vivenciados pelas pessoas mais velhas. Principalmente a violência invisível. Aquela que está debaixo de nossos olhos, e não conseguimos enxergar.

Quando o assunto é violência a primeira imagem que nos vem à mente é aquela que nos remete a agressão física. No entanto, são muitas as formas que ela pode ser perpetrada. O abuso financeiro é uma dessas formas. Porém, nem sempre é encarado como um ato violento. Pois bem, se uma pessoa da família ou um amigo solicita ao idoso que requeira um empréstimo consignado e não cumpre com o acordo de pagar as parcelas que são decorrentes desta negociação, está cometendo um ato de violência. Isto porque a renda mensal dessa pessoa, que com a maior boa vontade atendeu a este pedido, ficará totalmente comprometida. Geralmente, as pessoas não imaginam que isto é uma espécie de violência, e acabam por deixar de atender as suas necessidades pessoais para atender um pedido que, na maioria das vezes, se converte em prejuízo.

As instituições financeiras também cometem abusos financeiros, sobretudo quando oferecem crédito facilitado aos pensionistas e aposentados. Inúmeras agências estão espalhadas pelo país com o objetivo de oferecer este tipo de empréstimo. Isto começou a ganhar impulso a partir de 2003, quando foi implantada essa nova modalidade de crédito, cujos clientes principais são os idosos aposentados e pensionistas do INSS. Nessa modalidade de empréstimo os juros são mais baixos que os juros convencionais e se constitui em uma ação que não gera problema para o sistema financiador visto que é abatido diretamente da renda mensal daquele que contrai a dívida. Nesse sentido, os idosos tornam-se alvo fácil, pois são atraídos pelas facilidades que lhes são apresentadas.

As procurações com amplos poderes permitindo que a vida financeira do idoso seja gerenciada por terceiros, também podem gerar a apropriação indébita de seus bens.

Portanto, para preservar suas finanças é importante seguir algumas dicas:
1) Não contraia empréstimos para terceiros. Se algum familiar lhe pedir este favor, consulte outros membros da família;
2) Não assine procurações dando plenos poderes a quem quer que seja. Caso necessário, consulte antes um advogado;
3) Não deixe seu cartão da conta bancária ou de crédito em posse de terceiros e não divulgue sua senha;
4) Nas agências bancárias não peça informações a estranhos. Procure um funcionário devidamente identificado para prestar ajuda;
5) Evite que outras pessoas façam crediário em seu nome. Em grande parte das vezes estas não são pagas e a pessoa que emprestou o nome tem que pagar para limpar seu nome;
6) Não caia nas armadilhas das instituições financeiras que oferecem crédito facilitado. Recorra a um empréstimo somente em último caso.

Lembre-se: a apropriação de bens ou o não pagamento dívidas é uma forma de violência praticada contra o idoso. Mantenha-se alerta. Quando sentir que seus direitos foram violados, recorra aos espaços de denúncia.

1. Disque 100 – Denúncias de violência contra idosos
2. DEAPTI – Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade. Posto Avançado – Rua Figueiredo de Magalhães, 526 – Metrô Siqueira Campos – Copacabana. Rio de Janeiro/RJ  – Tel.: (21) 2333-9260

Mais informações – www.facebook.com/geriatre.envelhecimento

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Sobre o Autor

Maria Angélica Sanchez

Especialista em gerontologia pela SBGG, Doutora em Ciências - FCM/UERJ, Pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Envelhecimento Humano - Geronlab/Uerj, Presidente do departamento de gerontologia da SBGG - biênio 2014-2016. Coordenadora da Geriatre.

1 comentário

  1. Excelentes dicas! Nem sempre estamos atentos aos outros tipos de violência. Temos a ideia de que atos violentos são apenas aqueles que deixam marcas visíveis.

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