Curso da Vida – Prepare-se para viver melhor

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O salto de 58,7% na população brasileira com 60 anos ou mais entre 2012 e 2025 expõe uma demanda crescente por profissionais capazes de cuidar da autonomia, da funcionalidade e das condições crônicas na velhice.

O Brasil passou de 22,2 milhões para 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no período, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A transformação demográfica pauta a 14ª edição do Curso Intensivo em Geriatria (CIG 2026), promovida pelo HCX Fmusp, centro de ensino do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Com inscrições abertas, o encontro reunirá especialistas para discutir os efeitos desse envelhecimento na formação médica, no atendimento interdisciplinar e na organização dos serviços de saúde. A atividade é destinada a médicos, residentes, profissionais da saúde e equipes multiprofissionais que atuam ou pretendem atuar no cuidado à pessoa idosa.

“Cuidar da pessoa idosa vai além do tratamento de doenças: o profissional precisa compreender como o envelhecimento afeta a capacidade funcional, a autonomia, a cognição e os determinantes sociais.”

O cuidado que vai além do diagnóstico

A avaliação é da Dra. Flávia Campora, médica supervisora do Serviço de Geriatria do HC FMUSP. Para ela, a mudança no perfil da população altera também as competências exigidas dos profissionais, que precisam considerar fatores capazes de interferir diretamente na saúde e na independência do paciente.

Os efeitos dessa realidade já aparecem na assistência. De acordo com o estudo ELSI-Brasil, desenvolvido pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde, cerca de 20% dos idosos brasileiros, aproximadamente 6,5 milhões de pessoas, têm dificuldade para realizar pelo menos uma atividade básica da vida diária.

O levantamento também aponta que dois terços dessa população dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde. Condições crônicas, fragilidade, perda de funcionalidade e necessidades de cuidados de longa duração passam, assim, a ocupar espaço central na rotina dos serviços.

Especialistas ainda não acompanham o ritmo

Embora o número de médicos geriatras tenha aumentado mais de 380% nas últimas décadas, os dados da Demografia Médica no Brasil indicam que a oferta ainda não responde ao ritmo do envelhecimento populacional. O desafio envolve formar mais geriatras e qualificar médicos de outras especialidades, além das equipes multiprofissionais que atendem pessoas idosas.

Coordenado pelos professores Eduardo Ferrioli, Flávia Campora, Luiz Antonio Gil Junior e Thiago J. Avelino-Silva, o CIG 2026 reunirá docentes da Faculdade de Medicina da USP e especialistas convidados. A programação se apoia em experiências da prática assistencial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Quatro dias para discutir a longevidade

Entre 19 e 22 de agosto de 2026, o curso combinará aulas, workshops, painéis de especialistas e discussão de casos clínicos. Entre os temas previstos estão inteligência artificial aplicada ao cuidado da pessoa idosa, prevenção da fragilidade, saúde hormonal, farmacoterapia para diabetes e obesidade, uso seguro de medicamentos, prevenção de quedas, demências, doença de Parkinson, imunização e novos modelos de cuidado.

“A formação continuada deixou de ser apenas uma oportunidade de atualização profissional. Ela passou a ser essencial para que o sistema de saúde acompanhe as transformações demográficas do país e responda às necessidades de uma população cada vez mais longeva”, afirma Patrícia Vale, responsável pela área corporativa e eventos do HCX Fmusp.

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