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Esclerose múltipla: sinais iniciais confundidos com cansaço exigem atenção

A identificação precoce de sintomas neurológicos frequentemente atribuídos ao cansaço diário é determinante para conter o avanço da esclerose múltipla e preservar a qualidade de vida dos pacientes.

Uma alteração repentina na visão, episódios inexplicáveis de formigamento ou fraqueza muscular em um dos membros costumam ser encarados como eventos passageiros no cotidiano familiar. No entanto, essas manifestações integram o quadro inicial da esclerose múltipla, uma doença crônica e autoimune na qual o próprio sistema de defesa passa a comprometer estruturas do sistema nervoso central, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Estima-se que cerca de 40 mil brasileiros convivam atualmente com a enfermidade.

É importante que a família não ignore mudanças que aparecem de forma diferente do habitual, principalmente quando são sintomas neurológicos. Procurar atendimento médico é o primeiro passo para entender o que está acontecendo.

Manifestações do corpo que exigem avaliação

A apresentação clínica da condição varia de acordo com cada organismo. Entre os principais alertas apontados por especialistas em neuroimunologia, destacam-se a dormência persistente, alterações de equilíbrio e coordenação motora, fadiga severa que não cessa com o repouso e eventuais oscilações cognitivas ou emocionais.

Dra. Carla Renata Aparecida Vieira Stella, especialista em neurologia e com atuação na área de neuroimunologia

Para a Dra. Carla Renata Aparecida Vieira Stella, médica com atuação na área de neuroimunologia, a presença isolada de um sinal não confirma a patologia, mas demanda investigação profissional imediata para descartar outras hipóteses clínicas.

Não é preciso saber o nome da doença para procurar ajuda. Se alguma coisa mudou no corpo e essa mudança não parece normal, converse com um profissional de saúde.

Acesso ao diagnóstico pela rede pública

A investigação dos sintomas não depende de recursos particulares. O ponto de partida recomendado é a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde a triagem inicial encaminha os casos suspeitos para acompanhamento especializado na rede do Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde reforça que terapias iniciadas logo após as primeiras manifestações são capazes de controlar a atividade inflamatória e reduzir episódios agudos.

A base científica do manejo clínico conta com avanços contínuos. A especialista integrou estudos de neuroimunologia publicados internacionalmente em 2016, analisando a interação com dengue em pacientes em tratamento, e pesquisas veiculadas em 2023 sobre formas progressivas da condição infantil junto à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Acolhimento multidisciplinar e suporte comunitário

Além da abordagem laboratorial e medicamentosa, o suporte às famílias é parte central do tratamento. Na atuação como Diretora Clínica da ACESA Capuava, instituição voltada ao atendimento de pessoas com deficiência, a médica pontua que o impacto de uma condição crônica atinge toda a dinâmica familiar.

Quando falamos de uma doença crônica, não estamos falando apenas de um diagnóstico. Estamos falando de uma pessoa, de uma família e de uma rotina que pode mudar. O cuidador precisa olhar para todos esses aspectos.

A campanha Agosto Laranja e o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto, reforçam a necessidade de atenção imediata aos primeiros sinais para assegurar intervenções terapêuticas adequadas.

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