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Canetas emagrecedoras exigem cuidado além da perda de peso

Perder peso com canetas emagrecedoras não garante, por si só, recuperação da saúde: músculos, nutrição e manutenção precisam entrar na conta.

A ampliação da oferta de medicamentos para obesidade no Brasil, com novas marcas e versões mais acessíveis de semaglutida e liraglutida, muda o acesso ao tratamento. Mas também acende um alerta sobre o uso da medicação como solução isolada, sem diagnóstico metabólico, planejamento nutricional ou uma estratégia para preservar massa muscular e manter o resultado.

Para a médica Ana Luísa Vilela Barbosa, especialista em metabolismo complexo, obesidade e saúde intestinal, a redução do apetite e a perda expressiva de peso não dispensam acompanhamento durante todo o processo.

“Não basta emagrecer; é preciso saber o que o paciente está perdendo.”

Canetas emagrecedoras exigem cuidado além da perda de peso
Foto: Divulgação

A balança não mede tudo

Quando a ingestão de alimentos cai de forma acentuada, o paciente pode não atingir as necessidades de proteínas, vitaminas, minerais e energia. A velocidade do emagrecimento, a idade, a alimentação e a prática de exercícios também influenciam o risco de redução de massa magra.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 concluiu que a maior parcela do peso perdida com agonistas de GLP-1 corresponde à gordura, mas identificou reduções modestas de massa magra em alguns períodos e grupos. Os autores reforçam a importância de estratégia nutricional, exercício resistido e individualização, sobretudo para pessoas com maior risco de sarcopenia.

“O erro é comemorar cada quilo perdido sem avaliar força, massa muscular, ingestão proteica, funcionamento intestinal e exames metabólicos. Uma pessoa pode pesar menos e, mesmo assim, terminar o tratamento mais fraca, cansada, constipada, com queda de cabelo ou com dificuldade para sustentar o novo peso”, explica a médica.

Quem precisa de atenção redobrada

Segundo Ana Luísa, a avaliação não deve se limitar ao peso e ao índice de massa corporal. Histórico clínico, composição corporal, força, exames laboratoriais, sintomas digestivos, sono, hormônios, glicemia e a capacidade de manter uma alimentação adequada ajudam a definir a estratégia.

O plano começa antes da última dose

Outro ponto que costuma ser negligenciado é a manutenção. A obesidade é uma doença crônica, e o retorno do apetite após reduzir ou suspender o medicamento pode favorecer a recuperação do peso.

“A manutenção começa enquanto o paciente ainda está emagrecendo.”

De acordo com a médica, esse período deve servir para construir massa muscular, reorganizar a alimentação, tratar deficiências e identificar fatores que contribuíram para o ganho de peso. A recomendação não é abandonar as canetas, mas evitar uma prescrição padronizada que desconsidere as particularidades de cada paciente.

“Caneta não substitui diagnóstico. Dois pacientes com o mesmo peso podem ter resistências, riscos e necessidades completamente diferentes. Um pode precisar de ajuste hormonal; outro apresenta sarcopenia, compulsão, deficiência nutricional, alteração glicêmica ou um intestino que não tolera o tratamento. A prescrição precisa começar pelo paciente, não pelo nome do medicamento”, afirma.

Cinco acompanhamentos essenciais

Dra. Ana Luísa Vilela Barbosa tem mais de 20 anos de atuação clínica. É formada em Cirurgia Geral pela Beneficência Portuguesa de São Paulo, tem formação em Cirurgia Bariátrica pelo Instituto Garrido e em Nutrologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Atua no tratamento de obesidade, alterações hormonais, sarcopenia, pacientes pós-bariátricos e quadros metabólicos e intestinais complexos.

A médica também é responsável por um ambulatório de obesidade no SUS, em Itapevi, e atende presencialmente nos Jardins, em São Paulo, além de realizar telemedicina.

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