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DMRI pode avançar sem sintomas e ameaçar a visão central

Sem sintomas no início, a DMRI pode comprometer a visão central e se tornar uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo.

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença ocular comum que afeta a mácula, pequena região no centro da retina responsável pela visão central. Não há cura definitiva, mas identificar a condição e iniciar o tratamento cedo aumenta a possibilidade de preservar ou recuperar a capacidade visual.

A doença está ligada ao envelhecimento acelerado da mácula. Há um desequilíbrio no funcionamento e na nutrição das células do olho, associado a respostas inflamatórias prolongadas. Essas células trabalham continuamente, produzem resíduos e, quando eles deixam de ser eliminados de maneira eficiente, podem se acumular sob a retina e causar danos.

“Embora o avanço da idade seja o principal fator de risco para a DMRI, a genética, o histórico familiar e o estilo de vida aumentam a chance de a pessoa desenvolver a doença ocular.”

DMRI pode avançar sem sintomas e ameaçar a visão central
Foto: Magnific

Sinais surgem com a progressão

Nos primeiros estágios, a doença costuma ser assintomática. Com a progressão da DMRI, linhas retas podem parecer distorcidas e um ponto escuro pode surgir no centro do campo visual. Também podem ocorrer perda de nitidez ao ler, necessidade de mais luz para tarefas rotineiras e dificuldade para se adaptar a ambientes escuros.

O risco tende a aumentar a partir dos 55 anos. Segundo o Prof. Dr. Michel Farah, oftalmologista da unidade CEOSP do H.Olhos, pressão alta, obesidade, colesterol elevado, exposição solar excessiva, tabagismo e dietas pobres em antioxidantes são condições que exigem atenção, além da genética e do histórico familiar.

Duas formas, ritmos diferentes

A DMRI pode se apresentar em dois tipos principais. A forma seca, ou atrófica, responde por cerca de 90% dos casos e evolui lentamente. Já a forma úmida, ou exsudativa, é mais agressiva: vasos sanguíneos anormais se formam sob a retina e podem vazar líquido ou sangue.

Para a forma seca, o médico cita o uso do Valeda, equipamento aprovado para esse tipo de DMRI. O dispositivo usa fotobiomodulação, técnica que emite luzes de baixa intensidade em comprimentos de onda específicos para estimular as células doentes da retina e retardar ou atenuar o avanço da enfermidade.

Na forma úmida, o tratamento é realizado principalmente com injeções intraoculares de medicamentos antiangiogênicos. Eles agem diretamente na retina, impedem a formação de novos vasos sanguíneos anormais e reduzem o vazamento de líquidos. Também pode ser recomendado um suplemento vitamínico mineral antioxidante específico para ajudar na proteção da visão.

“Os avanços nos tratamentos são revolucionários e têm possibilitado recuperar parte da visão e estabilizar a doença na maioria dos pacientes.”

A consulta anual faz diferença

Pesquisas com novas tecnologias e implantes tiveram resultados promissores em testes clínicos, segundo o especialista. A expectativa é que pessoas em estágios avançados da DMRI possam voltar a enxergar detalhes e ler com o auxílio de óculos especiais.

O diagnóstico precoce continua sendo o fator mais determinante para conter a perda visual e preservar a qualidade de vida. Pessoas com mais de 50 anos devem consultar o oftalmologista ao menos uma vez por ano. Para quem tem histórico familiar de DMRI ou faz uso de tabaco, o acompanhamento deve ser ainda mais rigoroso.

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