A presença maciça de pessoas com 60 anos ou mais na internet brasileira alterou as estratégias criminosas, que agora exploram relações de confiança e rotinas cotidianas para aplicar fraudes financeiras complexas.
Um contingente de 20,1 milhões de novos internautas idosos conectou-se à rede ao longo de nove anos. Atualmente, o país reúne 26,6 milhões de usuários nessa faixa etária, o que representa 1 em cada 6 pessoas conectadas nacionalmente, segundo apontamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados com a PNAD Contínua do IBGE. Esse grupo respondeu por 38% das novas conexões no período.
A idade não determina isoladamente o risco de sofrer um golpe. Contudo, serviços essenciais como banco, Pix, aposentadoria, compras e canais de mensagens dividem a mesma tela do telefone. Os criminosos aproveitam o cenário para recriar situações comuns: avisos sobre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), falsos sequestros de parentes, supostos advogados que mencionam processos verídicos e centrais bancárias com dados cadastrais corretos.
O fraudador tenta reproduzir uma relação que já é confiável para aquela pessoa. Pode ser o banco que ela usa há anos, o benefício que recebe, um advogado ou alguém da família. E ele não precisa inventar tudo: pode usar dados verdadeiros para sustentar uma identidade falsa. Em segurança, conhecer seus dados não significa provar quem está do outro lado.
A declaração pertence a Wilder Martins, CISO e Head de Tecnologia da EXA, destacada em 25 de setembro de 2026. O especialista detalha que o risco reside no cruzamento de dados autênticos com uma identidade enganosa.

Rotina diária sob pressão e armadilhas da urgência
As investidas ocorrem em ritmo acelerado. Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) com quase 1,5 mil participantes idosos ou representantes revelou que 51% recebem contatos suspeitos diariamente. A pressão é contínua.
Em âmbito internacional, registros da Federal Trade Commission (FTC) dos Estados Unidos indicam comportamento similar. Cidadãos a partir de 60 anos sofrem perdas expressivas com falsos suportes técnicos, fraudes afetivas, prêmios inexistentes e personificação de entidades oficiais. Quando as vítimas caem na emboscada, as perdas monetárias tendem a ser mais elevadas.
A mecânica do crime se desenvolve antes da transferência de valores. De acordo com Martins, focar o combate apenas no pagamento ignora a dinâmica inicial da armadilha. A jornada do golpe envolve a apresentação de uma isca, a construção gradual de credibilidade e a imposição de urgência psicológica para impedir a reflexão do usuário.
O Pix costuma ser apenas a etapa derradeira. Se a cautela começa no momento de pagar, a proteção chega atrasada. O próprio INSS emitiu alertas recentes sobre comunicações falsas que ameaçavam cancelar pagamentos por suposta ausência na prova de vida.
Inteligência Artificial eleva o disfarce de mensagens
O uso de ferramentas automatizadas sofisticou a estética das fraudes. Tecnologias geram páginas organizadas, textos sem erros gramaticais e vozes idênticas às de parentes próximos. Diante disso, checar apenas a aparência não basta.
A validação requer averiguar o canal de origem e o motivo da pressa repentina. Quem administra a própria vida financeira precisa interromper a linha de comunicação quando surge uma solicitação alarmante.
Para barrar a investida, orienta-se:
- Não resolva urgências pelo canal em que o contato inicial foi feito: se o banco ligar, acesse o aplicativo direto da instituição; se o tema envolver benefícios, consulte diretamente a plataforma Meu INSS.
- Não trate o conhecimento de dados pessoais como comprovação: menções a CPF, conta bancária ou processos não validam a pessoa do outro lado.
- Crie uma pausa estratégica antes de efetuar transações ou clicar em links, combatendo o ritmo imposto pela engenharia social.
Apoio familiar sem tirar a autonomia
No convívio familiar, parentes funcionam melhor como rede de checagem do que como fiscais. Assumir o controle digital do idoso não resolve o problema central. A meta é viabilizar rotas de verificação para situações inesperadas.
Uma ligação curta para o familiar citado desmonta enredos de sequestro ou pedidos urgentes de dinheiro. Além disso, compartilhar notícias sobre novos formatos de golpes enfraquece o impacto da surpresa quando a tentativa ocorre em casa.
Como recurso complementar de contenção, a EXA lançou a EVA, uma ferramenta de Inteligência Artificial gratuita operada pelo WhatsApp no número 11 97015-1000. O sistema faz varreduras em tempo real de mensagens, links, códigos Pix e QR Codes duvidosos antes de qualquer interação financeira pelo usuário.