Mais do que um ruído durante a noite, o ronco frequente pode indicar apneia obstrutiva do sono e expor o organismo a quedas repetidas de oxigenação.
O som acontece quando o ar passa por uma via aérea estreitada. Em alguns casos, porém, esse estreitamento está ligado a episódios de redução ou interrupção da respiração enquanto a pessoa dorme, característica da apneia obstrutiva do sono.
Segundo a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE, um ronco eventual pode surgir durante uma gripe ou em situações temporárias de obstrução nasal. Quando se torna recorrente, entretanto, precisa de investigação médica.
“Durante a noite, o organismo deveria estar em repouso. Quando ocorrem episódios de apneia e há redução da oxigenação, o corpo precisa trabalhar mais.”
Durante o sono, a musculatura da via aérea relaxa naturalmente. Em algumas pessoas, esse relaxamento é maior, estreita a passagem do ar e dificulta a respiração. Além do ronco, o processo pode reduzir a oxigenação do organismo.
Quando o descanso vira sobrecarga
Com episódios repetidos de apneia, o corpo enfrenta uma sobrecarga justamente no período destinado ao repouso. Ao longo do tempo, a condição pode estar associada a maior risco de hipertensão arterial, arritmias, infarto e acidente vascular cerebral, especialmente quando há outros fatores de risco, como diabetes e obesidade.
Uma noite de sono sem qualidade também pode afetar o metabolismo, a glicose, o colesterol, a memória, a cognição e o humor. Os efeitos, segundo a médica, tendem a aparecer a médio e longo prazo.
A sonolência excessiva durante o dia é um dos principais indícios de que o ronco pode vir acompanhado de apneia. Adormecer facilmente diante da televisão, durante a leitura ou em situações que exigem atenção pode revelar que o sono noturno não foi reparador.
Sinais que não devem ser ignorados
Irritabilidade, mudanças de humor, dificuldade de concentração e falhas de memória também podem estar relacionadas à fragmentação do sono. Nesses casos, a pessoa pode permanecer mais tempo em fases superficiais e não alcançar adequadamente os estágios profundos e reparadores.
A intensidade do ronco, isoladamente, não define a gravidade de uma possível apneia. A investigação depende de avaliação médica e pode incluir a polissonografia, considerada o padrão ouro para o diagnóstico dos distúrbios respiratórios do sono.
O exame identifica episódios de apneia e hipopneia, quando há redução parcial da respiração. Também permite quantificar esses eventos, avaliar a oxigenação e, conforme o tipo de polissonografia, analisar parâmetros como batimento cardíaco e atividade cerebral durante o sono.
“É comum a pessoa dizer que dorme em qualquer lugar, mas isso pode esconder uma sonolência excessiva.”
Exame e tratamento dependem de cada caso
Há exames realizados em laboratório do sono, com monitoramento mais completo, e outros que podem ser feitos em casa com equipamentos específicos. A indicação é definida a partir da suspeita clínica e das características de cada paciente.
Sobrepeso e obesidade estão entre os principais fatores de risco para a apneia obstrutiva do sono. Envelhecimento, sedentarismo, características anatômicas, fatores genéticos e alterações na musculatura da via aérea também podem contribuir para o quadro.
O tratamento é individualizado e pode envolver mudanças de estilo de vida, aparelhos intraorais, fonoaudiologia, cirurgias e o uso de equipamento que ajuda a manter a via aérea aberta durante o sono. Manter peso adequado, praticar atividade física, não fumar e evitar bebida alcoólica são medidas indicadas para o controle da condição e para a saúde cardiovascular.
Serviço
- Especialista: Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE
