Técnicas cirúrgicas modernas e indolores ajudam a corrigir falhas na focalização da luz nos olhos e oferecem mais independência no cotidiano.
Quem depende de óculos de grau lida diariamente com desafios incômodos. Lentes que embaçam com mudanças bruscas de temperatura, o peso no nariz, a armação desajustada e a dificuldade para enxergar o relógio ao acordar são transtornos frequentes. O esforço constante exige manter o grau atualizado para assegurar a nitidez ao enxergar.
Dados do IBGE indicam que cerca de 40% dos brasileiros utilizam óculos ou lentes de contato para corrigir falhas de visão. A maioria dessas pessoas desconhece que pode recorrer a procedimentos definitivos.
Boa parte dessas pessoas desconhece que é elegível para cirurgia de correção do erro refrativo, podendo eliminar ou reduzir drasticamente a dependência do dispositivo.
A afirmação é do Dr. Edmundo Martinelli, oftalmologista que lidera o projeto de modernização tecnológica do hospital H.Olhos, no ABC paulista. O especialista explica que os erros de refração ocorrem quando há alterações na estrutura ocular ou na curvatura da córnea. Esse desalinhamento impede que a luz seja focada diretamente na retina, onde os estímulos visuais são enviados ao cérebro.

As razões por trás da vista embaçada
A miopia acontece quando o olho é mais longo do que o padrão ou a córnea é muito curva, fazendo o foco da imagem se formar antes da retina. Isso torna os objetos distantes desfocados. Na hipermetropia, o globo ocular é curto ou a córnea é plana, projetando o foco para trás da retina e exigindo maior esforço para ver de perto.
O astigmatismo é provocado por uma assimetria na curvatura corneana, resultando em visão distorcida ou com sombras tanto para perto quanto para longe. Já a presbiopia, popularmente chamada de vista cansada, surge geralmente após os 40 anos devido à perda natural de elasticidade do cristalino.
Diferentes caminhos para recuperar o campo visual
Ao contrário das armações tradicionais que limitam a visão lateral ou das lentes que provocam ressecamento, a intervenção cirúrgica recupera a amplitude visual sem barreiras. Os procedimentos atuais variam entre a remodelagem corneana a laser e o implante de lentes intraoculares.
A técnica LASIK cria uma fina lamela superficial na córnea antes da aplicação do Excimer Laser. O método PRK remove suavemente a camada externa para atuação direta do laser, sendo indicado para córneas mais finas ou praticantes de esportes de contato. Já o SMILE é uma opção minimamente invasiva que utiliza o laser de femtossegundo para remover uma pequena lentícula por microincisão de 2 a 4 milímetros.
Quando a espessura corneana não permite a raspagem ou os graus são excessivamente altos, o implante de Lentes Intraoculares Fácicas é utilizado sem alterar a estrutura da córnea. Plataformas modernas como a suíte Zeiss, que reúne os lasers VisuMax 800 e MEL 90, oferecem alta precisão e aceleram a recuperação pós-operatória.
A elegibilidade para a cirurgia exige critérios específicos. O paciente precisa ter mais de 18 anos, manter o grau estável há pelo menos 12 meses e apresentar ausência de enfermidades oculares como glaucoma ou ceratocone.
Procedimento prático e sem internação
O processo é rápido. O procedimento dura entre cinco e 15 minutos por olho e utiliza apenas anestesia tópica por colírio. O paciente retorna para casa no mesmo dia.
A rotina normal é retomada em poucos dias com mínimo desconforto. A autonomia retorna.