O relato de Chico Pinheiro durante a 11ª semana de quimioterapia volta a colocar em foco os sinais do câncer de intestino e o peso do diagnóstico precoce.
O jornalista Chico Pinheiro compartilhou nesta sexta-feira (4) um vídeo nas redes sociais em que aparece durante a 11ª semana de quimioterapia para tratar um câncer de intestino. Bem-humorado, brincou com os efeitos do tratamento e afirmou que, ao concluir essa etapa, vai “farmar aura”.
A publicação chama atenção pela leveza com que ele tem dividido sua experiência, mas também evidencia uma doença que pode apresentar sintomas confundidos com alterações comuns do funcionamento intestinal. Mudanças persistentes no hábito intestinal, sangramento nas fezes, dor ou distensão abdominal e perda de peso sem explicação devem ser investigados.
“O câncer colorretal pode se desenvolver por muitos anos sem causar sintomas visíveis.”

Lesões podem evoluir silenciosamente
Segundo o Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo, especialista em transplante hepático e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), o câncer de intestino costuma surgir a partir de crescimentos anormais de células. Pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos podem se tornar cancerígenas ao longo do tempo.
À medida que o tumor cresce, podem aparecer mudanças nos hábitos intestinais, sangramento retal, dor abdominal, fraqueza e perda de peso inexplicada. Os estágios da doença vão do estágio I, quando o câncer invadiu a parede do intestino, mas não a atravessou, ao estágio IV, quando se espalhou para órgãos distantes, como fígado ou pulmões.
Hábitos e histórico familiar entram na conta
Uma dieta pobre em frutas, vegetais e carnes magras, associada ao consumo excessivo de carnes vermelhas e ou processadas, pode elevar o risco de câncer colorretal, afirma Nacif. Consumo excessivo de álcool, tabagismo, sedentarismo e excesso de peso também estão relacionados a maior risco.
Embora não se conheçam completamente as causas específicas da doença, o médico destaca que os tumores na região geralmente se desenvolvem a partir de mutações genéticas em pólipos, lesões benignas do intestino. Pessoas com casos da doença na família precisam de atenção aos exames periódicos, diante da possibilidade de predisposição hereditária.
Exames ajudam a investigar
O diagnóstico precoce pode ser obtido por investigação clínica, laboratorial, endoscópica ou radiológica. No câncer colorretal, os dois principais exames de rastreamento citados pelo especialista são a pesquisa de sangue oculto nas fezes e as endoscopias, como colonoscopia ou retossigmoidoscopia.
“O diagnóstico precoce da doença pode ser alcançado através da realização de uma investigação minuciosa”, explica Lucas Nacif. A definição do momento adequado para o rastreamento deve ser individualizada com acompanhamento médico.
Tratamento depende do estágio
A identificação inicial do tumor é decisiva para o tratamento. Segundo Nacif, quando a doença é descoberta precocemente, as taxas de cura podem superar 90%.
A cirurgia costuma remover as partes do intestino afetadas pelo câncer. Em estágios mais avançados, podem ser necessários quimioterapia e radioterapia. Quando o câncer avança e cresce rapidamente, os dois tratamentos podem ser usados para controlar o crescimento tumoral.
“Portanto, não se deve nunca negligenciar sinais suspeitos, mas sim buscar avaliação médica especializada.”
O especialista reforça que a prevenção deve reunir acompanhamento médico, alimentação equilibrada e atividade física. “A prevenção sempre será o melhor remédio, somado a uma alimentação equilibrada e vida saudável com atividade física”, finaliza.
