Alterações discretas, como cansaço incomum e falta de ar, podem exigir investigação e não devem ser normalizadas na rotina.
As doenças cardiovasculares costumam ser associadas a sintomas intensos e repentinos, como uma forte dor no peito. Mas os primeiros sinais de que algo não vai bem com o coração nem sempre surgem dessa forma. Durante o Setembro Vermelho, campanha de conscientização sobre a saúde cardiovascular, a orientação é observar mudanças no organismo e manter o acompanhamento preventivo mesmo sem sintomas.
A cardiologista Dra. Flávia Verocai, da Clínica HeartWell, especializada em prevenção cardiovascular e longevidade e localizada no Barralife Medical Center, no Rio de Janeiro, afirma que um dos desafios é não tratar sintomas recorrentes como algo comum.
“Cansaço excessivo, falta de ar ou palpitações, por exemplo, podem ter diversas causas e nem sempre significam uma doença cardíaca. Mas, quando surgem sem uma explicação clara, se repetem ou pioram com o esforço, precisam ser investigados.”

Quem precisa redobrar a atenção
A atenção deve ser maior entre pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, sedentarismo ou histórico familiar de doenças do coração. A idade também eleva o risco cardiovascular. A avaliação médica considera tanto os sintomas quanto o conjunto de fatores capazes de aumentar a probabilidade de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e outras complicações.
Segundo a especialista, controlar pressão arterial, colesterol e glicemia, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, não fumar, cuidar do sono e realizar avaliações médicas conforme o perfil de risco são medidas importantes ao longo da vida.
“Muitas alterações cardiovasculares podem evoluir silenciosamente. A prevenção permite identificar riscos antes que eles se transformem em eventos mais graves.”
Cinco sinais para observar
- Dor, pressão ou desconforto no peito: sensação de aperto, peso, queimação ou pressão no tórax, sobretudo durante esforços, deve ser avaliada. Quando intensa, persistente ou acompanhada de outros sintomas, exige atendimento imediato.
- Falta de ar fora do habitual: ficar ofegante em atividades antes realizadas normalmente ou sentir falta de ar em repouso pode indicar alterações cardiovasculares e merece investigação.
- Palpitações ou sensação de coração acelerado: batimentos muito rápidos, irregulares ou com “falhas”, especialmente quando frequentes ou acompanhados de tontura, fraqueza ou desmaio, são sinais de alerta.
- Cansaço excessivo e redução da disposição: uma queda importante e sem explicação na capacidade de realizar atividades cotidianas pode estar relacionada a diferentes condições de saúde, inclusive cardiovasculares.
- Inchaço nas pernas, pés ou tornozelos: quando persistente, principalmente se vier com falta de ar, ganho rápido de peso ou cansaço, o edema pode estar relacionado à retenção de líquidos e precisa ser investigado.
Prevenção faz parte da rotina
Para a Dra. Flávia Verocai, a mensagem central do Setembro Vermelho é que o cuidado com o coração não deve começar apenas diante de sintomas. Conhecer os fatores de risco, manter hábitos saudáveis e realizar o acompanhamento médico adequado são medidas fundamentais para reduzir a possibilidade de eventos mais graves.
