Depois de encontrar alegria nas visitas ao leito durante o tratamento, Gabriel da Silva Guedes decidiu transformar o acolhimento que recebeu em apoio para outros pacientes.
Paciente do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) desde os quatro anos, quando recebeu o diagnóstico de uma doença rara, Gabriel da Silva Guedes, de 19 anos, conheceu de perto o impacto do voluntariado durante as internações. As visitas, sobretudo dos grupos de palhaçaria, trouxeram momentos de leveza e fizeram nascer nele o desejo de também atuar ajudando pessoas.
“Nos momentos em que eu mais precisei, um voluntário me abraçou, me trouxe esperança, alegria e me tirou um sorriso. Esse sorriso virou um sonho e hoje se tornou realidade.”
Estudante de Engenharia Civil, Gabriel já participa de um projeto que apoia pessoas, especialmente neurodivergentes, no caminho para ingressar na faculdade. Agora, ele quer levar a mesma esperança a quem está em tratamento no instituto. “Eu acredito que posso ser uma pessoa que muda a vida de milhares de pessoas”, afirma.

Ações que somam ao tratamento
Somente neste ano, mais de 4,9 mil pacientes foram beneficiados por ações de humanização realizadas por voluntários no INTO. Integradas à Política Nacional de Humanização do instituto, as iniciativas buscam tornar mais acolhedora a experiência de pacientes e acompanhantes durante o tratamento.
“Por meio da escuta, das atividades culturais, recreativas e de apoio, os voluntários favorecem encontros que reconhecem o paciente para além de sua condição de saúde. Essas ações não substituem o cuidado realizado pelos trabalhadores do INTO, mas se somam a ele”, explica Michelly Coutinho, chefe da Área de Política Nacional de Humanização.
As atividades não se limitam à palhaçaria. Ao longo da semana, os pacientes podem participar de tênis em cadeira de rodas, oficinas de autoestima com cortes de cabelo e ações recreativas na pediatria, como a confecção de bonequinhos com tampinhas de garrafa.

O esporte abre possibilidades
Nas aulas de tênis em cadeira de rodas, o professor de educação física Sérgio Alves dos Santos, de 63 anos, observa ganhos que ultrapassam a prática esportiva. “Muda a alegria, a satisfação de acordar cedo e vir fazer aula com o tio Sérgio. Ajuda no cognitivo, ajuda no físico, ajuda na socialização”, afirma.
Segundo ele, algumas crianças que chegavam praticamente sem falar passaram a se comunicar mais. A atividade também revelou talentos: pacientes que começaram a jogar no INTO já participam de competições, inclusive torneios internacionais, enquanto outros se preparam para as primeiras provas.
“Essa ação de humanização impacta positivamente o tratamento. Colabora, favorece e estimula a adesão dele ao tratamento, porque ele percebe que não está totalmente sozinho.”
Para Sandra Fantti, chefe substituta da área de Voluntariado, a presença dessas iniciativas fortalece a relação do paciente com o próprio cuidado e cria oportunidades de interação durante a permanência no instituto.

Como apresentar uma proposta
Pessoas interessadas em desenvolver ações voluntárias no INTO podem apresentar propostas à instituição. O processo começa pela área de voluntariado no site https://www.into.saude.gov.br/, onde é necessário preencher um formulário de cadastro e encaminhar um e-mail ao serviço, com apresentação e indicação da atividade pretendida.
Após esse contato, o instituto agenda uma entrevista presencial para conhecer a proposta. “Ser voluntário requer compromisso, responsabilidade, respeito e disposição para ouvir. O voluntariado vai além de simplesmente ajudar o outro: é estabelecer com o paciente relações baseadas na dignidade, na autonomia e no reconhecimento de sua individualidade”, conclui Michelly.
