A maioria dos aneurismas cerebrais não causa sintomas, mas uma dor de cabeça súbita e intensa, associada a alterações visuais ou sinais neurológicos, exige atendimento imediato.
Dor de cabeça e visão embaçada são queixas frequentes e, na maior parte dos casos, não indicam uma doença neurológica grave. O alerta muda quando os sintomas aparecem de forma abrupta, fogem do padrão habitual ou vêm acompanhados de vômitos, desmaio, confusão ou alterações neurológicas. Nessa situação, uma das condições que precisa ser descartada é o aneurisma cerebral.
Estimativas internacionais indicam que cerca de 3% da população adulta pode ter um aneurisma intracraniano não roto. Trata-se de uma dilatação em uma área enfraquecida da parede de uma artéria no cérebro. Muitos permanecem silenciosos, mas a ruptura pode provocar hemorragia subaracnóidea e demanda assistência médica sem demora.
“O que merece atenção é principalmente uma mudança no padrão habitual, o início abrupto e a associação com outros sinais neurológicos.”
A afirmação é da Dra. Vanessa Milanese, neurocirurgiã e diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Segundo ela, ter dor de cabeça ou visão embaçada, isoladamente, não significa que uma pessoa tenha aneurisma, pois esses sintomas podem estar ligados a inúmeras condições.

Quando o aneurisma pode dar sinais
Quando não se rompe, o aneurisma cerebral em geral não provoca manifestações, especialmente se for pequeno. Em alguns casos, aneurismas maiores podem comprimir nervos e estruturas próximas, causando dor acima ou atrás de um dos olhos, alteração no tamanho da pupila, visão dupla ou outras mudanças visuais.
O quadro é diferente diante de uma ruptura. A manifestação clássica é uma dor de cabeça extremamente intensa, de início súbito e muitas vezes descrita como diferente de qualquer outra já sentida. Também podem ocorrer náuseas, vômitos, rigidez no pescoço, visão turva ou dupla, sensibilidade à luz, confusão, convulsões e perda de consciência.
“Uma dor que começa subitamente e atinge uma intensidade muito forte em segundos ou poucos minutos não deve ser tratada em casa como uma cefaleia habitual.”
Sinais que pedem emergência
A especialista orienta procurar um serviço de emergência imediatamente quando uma dor intensa e repentina vier acompanhada de alteração visual, vômitos, desmaio, confusão ou algum déficit neurológico. O Ministério da Saúde também aponta dor de cabeça súbita e intensa e alterações na visão como sinais de alerta para eventos cerebrovasculares.
- Dor de cabeça súbita, muito intensa e diferente do habitual
- Visão turva, visão dupla ou outras alterações visuais
- Náuseas, vômitos, rigidez no pescoço ou sensibilidade à luz
- Desmaio, confusão, convulsões ou perda de consciência
- Qualquer déficit neurológico associado à dor
Risco e investigação são individualizados
Tabagismo e hipertensão arterial não controlada estão entre os principais fatores associados à formação e à ruptura de aneurismas. Histórico familiar e algumas condições genéticas, como doença renal policística e doenças que afetam o tecido conjuntivo, também podem elevar o risco.
A Dra. Vanessa Milanese ressalta que não há indicação para exames de imagem indiscriminados em toda pessoa com dor de cabeça. Histórico do paciente, características da dor, fatores de risco e exame clínico ajudam o médico a definir a necessidade de investigação.
Quando há suspeita, exames de imagem avaliam os vasos cerebrais e podem identificar aneurismas. Nos diagnósticos realizados antes da ruptura, a conduta considera tamanho, formato e localização do aneurisma, além da idade, das condições clínicas e do histórico de cada paciente. Nem todo aneurisma precisa de cirurgia imediata: em determinadas situações, o acompanhamento é a estratégia indicada.
