Esquecimentos isolados são comuns, mas mudanças persistentes na memória, na linguagem e na autonomia merecem avaliação médica em qualquer idade.
Esquecer onde deixou as chaves, não lembrar imediatamente o nome de alguém ou entrar em um cômodo e esquecer o que iria buscar são situações que podem acontecer com qualquer pessoa. Estresse, noites mal dormidas, ansiedade, excesso de informações e múltiplas tarefas podem favorecer lapsos de atenção e memória.
O cenário muda quando esses episódios passam a se repetir, evoluem ao longo do tempo e começam a interferir nas atividades do dia a dia. O alerta ganha destaque em 21 de setembro, Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer.

Quando o esquecimento deixa de ser pontual
Segundo o neurologista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dr. Vinicius Rodrigues, um episódio isolado não deve ser interpretado automaticamente como sinal de uma doença neurológica. A frequência, a progressão das alterações e o impacto na rotina são os principais pontos a observar.
“O sinal de atenção aparece quando a pessoa começa a apresentar mudanças persistentes em relação ao seu funcionamento habitual, com esquecimentos recorrentes e dificuldades que passam a comprometer tarefas que antes eram realizadas normalmente.”
Entre os sinais associados à doença de Alzheimer estão o esquecimento de acontecimentos recentes, a repetição frequente das mesmas perguntas, a dificuldade para encontrar caminhos conhecidos, acompanhar conversas ou resolver problemas e alterações na linguagem, como não conseguir encontrar determinadas palavras.
Com a progressão da doença, também podem ocorrer mudanças comportamentais e dificuldades de orientação no espaço e no tempo.
Nem toda perda de memória é Alzheimer
Alterações cognitivas podem ter diferentes origens. Alguns medicamentos, depressão, deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide, infecções e consumo excessivo de álcool também podem estar relacionados a dificuldades de memória.
Algumas dessas condições podem ser tratadas ou até revertidas quando identificadas adequadamente. Por isso, a recomendação é não tentar descobrir a causa por conta própria e procurar avaliação profissional diante de uma mudança perceptível e persistente.
“Quando a família percebe que a pessoa está repetindo perguntas, esquecendo compromissos com frequência, tendo dificuldade para organizar atividades habituais ou se perdendo em locais conhecidos, esses sinais merecem atenção”, orienta o neurologista. Segundo ele, isso não significa necessariamente Alzheimer, mas indica que é importante investigar o que está provocando as alterações.
A idade não elimina a necessidade de investigação
Embora a doença seja muito mais frequente entre idosos, ela também pode se manifestar precocemente. A classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) considera de início precoce a demência por Alzheimer que começa antes dos 65 anos.
Isso significa que alterações cognitivas em pessoas mais jovens não devem ser automaticamente ignoradas. Em alguém com menos de 60 anos, outras causas podem ser consideradas inicialmente, mas sintomas progressivos precisam ser avaliados quando afetam a autonomia e o desempenho profissional, social ou familiar.
“Sintomas progressivos, principalmente quando começam a afetar a autonomia e o desempenho profissional, social ou familiar, precisam ser avaliados independentemente da idade.”
A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta a memória e outras funções cognitivas. Segundo o Ministério da Saúde, é a causa mais frequente de demência e representa entre 60% e 70% dos casos de demência no mundo.
O que acontece na avaliação
A investigação pode envolver entrevista clínica, análise do histórico de saúde, exame físico, testes cognitivos e, conforme cada caso, exames complementares. O objetivo é diferenciar alterações relacionadas a fatores do cotidiano de condições que necessitam de acompanhamento específico.
A orientação é observar menos os esquecimentos isolados e mais as mudanças em relação ao padrão habitual da pessoa. Quando a perda de memória se torna recorrente, evolui ao longo do tempo ou começa a prejudicar atividades cotidianas, buscar avaliação médica é o caminho indicado.
Serviço
- Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer: 21 de setembro.
- Mais informações sobre a Afya: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.
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