Mais de 445 mil afastamentos concedidos pelo INSS têm relação direta com problemas e desgastes na coluna de trabalhadores.
Posturas inadequadas e jornadas exaustivas cobram um preço alto do corpo. Em 2025, a dorsalgia liderou as concessões de auxílio por incapacidade temporária da Previdência Social, totalizando 237.113 benefícios. Na sequência imediata, os transtornos dos discos intervertebrais provocaram outros 208.727 afastamentos formais.
A coluna funciona como um prédio sustentado por diversos pilares. Esses pilares são os músculos que ajudam a distribuir a carga do corpo de maneira equilibrada. Quando permanecemos muito tempo na mesma postura ou realizamos esforços repetitivos sem períodos de recuperação, alguns desses músculos passam a trabalhar acima da capacidade, enquanto outros deixam de cumprir seu papel.
O médico especialista em dor Dr. Lúcio Gusmão, fundador da Rede CADE (Centro Avançado de Dor e Especialidades), adverte que esses quadros musculoesqueléticos não aparecem do nada. Trata-se de um acúmulo contínuo de pequenos danos ao longo dos anos de expediente.
Desconfortos não são normais. A dorsalgia descreve o sintoma de dor em si, enquanto o comprometimento dos discos intervertebrais atinge os amortecedores de impacto naturais situados entre as vértebras. Desgastes severos e lesões, como a hérnia de disco, produzem dores intensas que chegam a irradiar para pernas e braços.

O peso diário sobre cada profissão
Certos ofícios sofrem impactos diretos pela natureza mecânica de suas funções diárias:
- Profissionais em frente ao computador, que passam horas sentados.
- Dentistas que operam inclinados constantemente sobre os pacientes.
- Trabalhadores da construção civil, sob o peso contínuo do levantamento de cargas.
Nessas circunstâncias, a musculatura fica tensionada por períodos excessivos. O resultado é compressão estrutural e degeneração contínua da sustentação física, exigindo acompanhamento médico para restabelecer a integridade corporal.
A crise não para na coluna. Em 2025, a Previdência Social registrou 135.093 concessões motivadas por lesões por esforço repetitivo (LER/DORT), com danos expressivos em punhos, mãos, braços e ombros. O problema atinge frequentemente professores, cabeleireiros e manicures devido às atividades manuais contínuas.
Ajustes simples para aliviar a carga
O ambiente corporativo precisa agir preventivamente. Adaptar estações de serviço com ergonomia, estipular pausas programadas e incentivar a movimentação física preservam a saúde da equipe e barram o absenteísmo.
Na rotina individual, pequenas atitudes trazem alívio imediato:
- Levantar-se com frequência e alternar as posições de trabalho.
- Regular mesas, monitores e cadeiras de acordo com a altura corporal.
- Praticar alongamentos simples para diminuir a sobrecarga nas vértebras.
Buscar diagnóstico precoce impede complicações permanentes e sustenta a capacidade física durante toda a carreira profissional.
