A ausência de sintomas e a pouca idade não eliminam as ameaças cardiovasculares, exigindo cuidados preventivos imediatos mesmo entre pessoas com aparência saudável.
O mito de que eventos cardíacos atingem unicamente indivíduos na maturidade cai por terra na rotina médica. Problemas cardiovasculares afetam adultos jovens e ativos, que se julgam imunes a qualquer intercorrência. A atenção sobre o tema ganha visibilidade em 29 de setembro, data em que se celebra o Dia Mundial do Coração.
Muitas vezes, existe a percepção de que os problemas do coração são uma preocupação apenas para depois dos 50 ou 60 anos. Mas a prevenção deve começar muito antes. Conhecer o histórico familiar, acompanhar pressão arterial, colesterol e glicemia e manter hábitos saudáveis são atitudes importantes em qualquer fase da vida
O alerta parte do médico cardiologista Alvaro Cesar Cattani, docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco. Apenas no ano de 2022, cerca de 400 mil brasileiros morreram em decorrência de problemas cardiovasculares, de acordo com a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. O infarto do miocárdio causou cerca de 170,5 mil óbitos na região de Brasil e Paraguai no mesmo período, segundo dados do Global Burden of Disease.

O perigo silencioso e os hábitos que sabotam a vitalidade
Histórico familiar, colesterol alterado, diabetes, hipertensão, obesidade e sedentarismo compõem o quadro de perigo. Muitas dessas alterações operam de forma silenciosa por anos. O coração sofre impactos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade no planeta, sendo responsáveis por 19,8 milhões de mortes registradas globalmente em 2022. Desse índice, 85% derivam de infartos e acidentes vasculares cerebrais. A rotina exaustiva moderna amplia as brechas biológicas.
Consumo excessivo de bebidas alcoólicas, privação de sono, cigarro e má nutrição intensificam vulnerabilidades. Outro fator crítico envolve substâncias químicas: quase 25% dos infartos em adultos jovens estão atrelados ao uso de cocaína, maconha e anfetaminas. A cocaína eleva a chance de infarto em até 24 vezes logo nas primeiras horas, por desencadear espasmos severos nas artérias e gerar coágulos.
Manifestações incomuns e atitudes essenciais de prevenção
O corpo emite sinais. Ao lado do clássico aperto no peito, falta de ar e suor frio, indivíduos jovens — especialmente mulheres — manifestam quadros atípicos. Tonturas, dores lombares, desconforto gástrico, náuseas e sensação de exaustão desmedida exigem socorro médico imediato.
Para barrar a evolução desses eventos, atitudes cotidianas são decisivas:
- Mapear o histórico familiar: avisar ao médico sobre parentes de primeiro grau que tiveram infarto ou AVC precocemente (homens abaixo de 55 anos e mulheres abaixo de 65 anos).
- Acompanhamento de rotina: manter medição constante da pressão, perfil lipídico e índices de glicemia.
- Exames genéticos e marcadores específicos: dosar a Lipoproteína(a) ao menos uma vez e checar taxas de colesterol de origem hereditária.
- Estilo de vida protetor: realizar exercícios regularmente, cultivar alimentação saudável, preservar boas horas de sono e afastar tabaco, excesso de álcool e substâncias recreativas.
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