Apesar de um mercado consumidor que gira R$ 1,8 trilhão anualmente, o ecossistema brasileiro de inovação ainda busca capital especializado e empresas capazes de escalar soluções voltadas ao envelhecimento.
O envelhecimento da população desenha uma nova fronteira para investimentos. Startups focadas nas demandas da maturidade, conhecidas como agetechs, já atraem cifras expressivas pelo planeta. No entanto, o cenário nacional ainda dá os passos iniciais para estruturar esse ecossistema.
Em 2022, empresas emergentes dedicadas à longevidade captaram US$ 5,2 bilhões em 130 rodadas globais, segundo relatório da Longevity.Technology. Um dos maiores destaques foi a Altos Labs, que obteve US$ 3 bilhões em uma única rodada voltada a pesquisas de reprogramação celular. A projeção internacional indica que o segmento de longevidade alcance US$ 67 bilhões até 2035.
Um mercado consumidor de R$ 1,8 trilhão por ano, ainda sem uma agetech brasileira de peso, é um espaço em branco raro em uma economia já madura em outras verticais de startups.

O descompasso entre a demanda e o capital de risco
Fundos globais de venture capital já direcionam recursos significativos para a área. Grupos como Khosla Ventures, BOLD Longevity Growth e Longevity Vision Holding focam em inteligência artificial para diagnósticos, medicina regenerativa e reprogramação celular. Simultaneamente, gestoras como 1843 Capital e Equitage Ventures financiam iniciativas de senior care, home care, cuidadores, moradias assistidas e bem-estar para idosos.
No Brasil, algumas iniciativas começam a ganhar tração. A aceleradora Silver Hub opera de forma pioneira com dedicação exclusiva ao setor na América Latina. Iniciativas de conexão também se expandem, a exemplo do Maturi Fest, evento que reuniu mais de 10 mil pessoas e 200 palestrantes.
Contudo, a criação de companhias de grande escala esbarra na escassez de fundos focados. O executivo e conselheiro Cristián Sepúlveda, especialista em longevidade e Customer Experience (CX), explica que o capital de risco nacional historicamente se concentrou em fintechs, healthtechs e inteligência artificial, segmentos que contam com histórico consolidado de saídas lucrativas.
Expansão para além dos cuidados médicos
A longevidade ultrapassa o setor da saúde. Novas demandas englobam serviços financeiros, consumo diário, mobilidade urbana, moradia e estilo de vida. O potencial é vasto.
Dados do estudo Mercado Prateado, realizado pela data8, apontam que a movimentação anual de R$ 1,8 trilhão no país deve saltar para R$ 3,8 trilhões até 2044. Para construir soluções duradouras, o ecossistema dependerá de negócios estruturados a partir da análise de dados e com planejamento de longo prazo, prontos para responder ao peso econômico da maturidade.
