A expansão da internet entre a população idosa no Brasil trouxe facilidades para o dia a dia, mas também abriu espaço para investidas criminosas que exploram a confiança para aplicar fraudes.
Em São Paulo, levantamento divulgado em 28 de setembro de 2026 revela que o país conquistou 20,1 milhões de novos internautas com 60 anos ou mais em nove anos. Os dados, apurados pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados com base na PNAD Contínua do IBGE, apontam que 26,6 milhões de idosos estão conectados, o que representa um em cada seis usuários de internet no território nacional.
A idade não determina, de forma isolada, quem se torna vítima de uma fraude. No entanto, o uso simultâneo de aplicativos bancários, Pix, cadastros de aposentadoria, redes sociais e serviços públicos no mesmo celular cria oportunidades para abordagens enganosas que imitam situações conhecidas.
O fraudador tenta reproduzir uma relação que já é confiável para aquela pessoa. Pode ser o banco que ela usa há anos, o benefício que recebe, um advogado ou alguém da família.

A armadilha que começa bem antes da transferência
Para Wilder Martins, CISO e Head de Tecnologia da EXA, o sucesso das abordagens reside no uso de dados verdadeiros para sustentar identidades falsas. O especialista explica que ter acesso a informações pessoais do usuário não garante que a pessoa do outro lado da comunicação seja legítima.
A frequência dessas investidas é alta. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União com quase 1,5 mil participantes idosos ou seus representantes indicou que 51% recebem mensagens ou ligações suspeitas todos os dias. Dados da Federal Trade Commission, nos Estados Unidos, mostram maior proporção de vítimas idosas em fraudes de falso suporte técnico, personificação de órgãos públicos, falsos prêmios e fraudes afetivas, com prejuízos financeiros expressivos quando ocorrem perdas.
A engenharia social atua em etapas estruturadas. A chamada jornada do golpe inicia com uma narrativa convincente, passa por um elemento de credibilidade e utiliza a pressão pelo tempo para reduzir as chances de checagem. O Pix costuma ser apenas a etapa final desse processo.
Inteligência artificial e a manipulação de veracidade
Um exemplo recente envolveu alertas do INSS sobre mensagens falsas que ameaçavam suspender benefícios por ausência de prova de vida. Além disso, o avanço da Inteligência Artificial facilitou a criação de textos sem erros ortográficos, páginas bem estruturadas e clonagem de voz.
Diante dessas tecnologias, a verificação precisa deixar de focar apenas na aparência do contato e se voltar para a origem da abordagem e os motivos da urgência solicitada.
Estratégias de prevenção para interromper a fraude
Para quem administra a própria vida digital, a adoção de atitudes preventivas ajuda a interromper a cadeia de engenharia social:
- Não resolva uma urgência pelo mesmo canal em que ela surgiu. Ao receber ligações do banco ou avisos sobre benefícios, acesse diretamente os aplicativos oficiais.
- Não utilize o conhecimento de dados pessoais, como CPF ou detalhes de processos, como confirmação da identidade de quem ligou ou mandou mensagem.
- Faça uma pausa antes de clicar em links ou realizar transferências, evitando agir sob pressão.
O apoio da rede familiar sem perda de autonomia
A atuação da família funciona como uma segunda camada de verificação para situações atípicas. Combinar previamente um canal alternativo para confirmar histórias diminui o impacto do elemento surpresa em casos de falso sequestro ou pedidos inesperados de dinheiro.
Como alternativa tecnológica, a EXA desenvolveu a EVA, uma agente de Inteligência Artificial no WhatsApp desenvolvida para analisar mensagens, links, QR Codes e chaves Pix antes do envio de valores ou interações com contatos desconhecidos.
